30.9.09

cervejas na Bavária


Pense em alemães. Não aqueles das cidades, mas aqueles bem do campo...
Aqueles homens bem rechonchudos, com bigode, cara vermelha, umas bermudas de couro com suspensórios e é claro uma cerveja gigante na mão.
Aquelas mulheres loiras, de olhos azuis, com vestido de camponesa quadriculado e é claro uma cerveja gigante na mão.
Mesmo que eu não associasse exatamente esses tipos com os alemães, bastou chegar em Munique para que a imagem fizesse todo sentido.

Munique fica na Bavária, a parte sul da Alemanha, onde ocorre a maior festa da Europa e a 2a maior do mundo (só atrás é claro do Carnaval da Maravilhosa): a Oktoberfest. Ela festeja o período de colheitas das batatas e talvez em homenagem à isso o povo se vista à caráter: uma dádiva para os olhos e só direi isso!
Não à toa chamada de fête de la bière (festa da cerveja) aqui na França, é nela que os alemães de Munique mostram a adoração que tem por ela. Todas as dezenas de cervejarias da região se organizam em imensas tendas num gigante parque de diversão no coração da cidade.
Entrada: gratuita. Cerveja: só em copos de 1l. Combinação melhor só se o preço de 9 euros fosse mais moderado.

Confesso que estava meio em dúvida se ia ou não. Minha conta já ultrapassava a casa dos -250 euros, quase estourando o limite de dias em que poderia ficar no vermelho.
Mas, colheita de batatas só se tem uma vez por ano! E com essa propaganda tentadora, resolvi enfim partir com a galera.
Não poderia ter feito melhor: uma festa inesquecível que quebrou todas as expectativas!

Saímos na sexta num bando de 16 brasileiros, um francês e um alemão, que alugou um studio pra gente dormir. Depois de 9h de estrada e auto-bahns alemães sem velocidade limite, chegamos de noite em Munique.



Oktoberfest:

• brasileiros invadem a Bavária
• cada um com a sua loira
• cada um com a sua loira (2)
• se liga no equilíbrio do cara
• a célebre Schottenhamel
• tio da Bavária e seu filho alemãozin





Sem perder muito tempo, fomos todos logo dormir. Motivo: com uma festa dessa, não é absurdo constatar que às 7h30 já não se pega lugar dentro do paraíso que são as tendas. E, seguindo essa experiência dos veteranos, fizemos de tudo para chegar cedo. Depois de um bom tempo de fila nos encontramos já às 9h30 com uma belíssima loira de 1 litro. O suficiente para colocar um sorriso na cara de todo mundo... O resto, foi a festa.
Uma tenda gigante só com músicas típicas, cervejas e mais cervejas e só cervejas, os amigos, as alemães e seus vestidos de camponesa, os alemães e suas bermudas supimpas, a euforia, os pretzels salgados que deixam secos por mais cerveja, a língua alemã muito louca e agressiva, os vestidos, as cervejas, ...
"Ahhhh! Tempo passando e é aniversário das 2 lá no Brasil! Calma! Tenho que ligar pra minha irmã e minha mãe (AMO VOCÊS!)! Tenho que falar com elas, agora! Pára! ... Onde é a saída? Ahh, finalmente... E o telefone?... 'Brasil Direto automático a cobrar'...
Ahhh, que beleza! Agora posso voltar a curtir tranquilo a festa! Partiuu!"
E foi mais ou menos assim que me encontrei fora da tenda, certamente para não entrar pelo resto do evento! hahaha Mas é claro que ficou tudo beleza... cervejas e amigos: diferente não poderia ser!
Depois de um rolé pelo parque de diversões (negrin mto louco para ainda ficar indo em montanha russa e elevadores despencantes), voltamos exaustos.


Oktoberfest:

• dentro do paraíso
• destino: Oktoberfest
• casa do terror borracho de cerveza
• ahhhh Luis, que felicidade é essa meu brow!?
• estive em Munique
• pseudo-amigos da bebedeira!





No dia seguinte, a maior tentação foi não voltar para a festa é claro. Mas infelizmente a école aqui é barra pesada, então nos contentamos com um passeio pela cidade, breve mas explicativo.
Em Munique existem 2 palavras de ordem um pouco contraditorias: cerveja e catolicismo. Sobre a cerveja, não preciso nem falar, afinal a reputação é bem conhecida. Sobre o catolicismo chega a ser interessante porque numa Alemanha majoritariamente protestante (Lutero e tal) a religião manteve aqui suas raízes.
Por todo o centro estão espalhadas igrejas, mas a que me chamou a atenção foi a Igreja de Nossa Senhora Sagrada. Ela envolve-se numa lenda louca na qual o diabo, depois de ver que ela não possuía janelas, teria ajudado a construir o seu "tempo das sombas" em tempo recorde
Da praça da prefeitura (onde um relógio bate a cada hora com direito a uma luta de cavalheiros). Na verdade, o que se passou foi uma ilusão de ótica causada pela arquitetura da igreja, cujas colunas vista do ponto onde o diabo estaria (o chão está marcado por uma pegada) encobrem as janelas.
A cidade é ainda muito bonita, com vários bares e casas antigas, além de lojas por todos os cantos. Mas ela também sofreu muito com a Segunda Guerra. Na realidade, foi aqui que o partido nazista foi fundado, pelos companheiros de um austríaco que aparentemente teria uma boa oratória e poderia ser útil para disseminar as idéias: Hitler. Com os bombardeios, a maioria das casas foram destruídas, mas graças à um trabalho incessante de alguns fotógrafos alemães na época, pode-se reconstruir perto de como era antes.



Munique:


batalha dos cavaleiros no relógio da prefeitura
• só em Munique as estátuas bebem cerveja
• a pegada de você-sabe-quem
• casinhas de Munique - um bar em cada esquina
• prefeitura de Munique
• Ópera de Munique




Depois dessa volta, nos deliciamos num restaurante típico, e partimos para a viagem de volta. Só não contávamos aí com o quilométrico engarrafamento que pegamos... nem com um vacilo do motorista que abasteceu com gasolina o tanque de diesel. hahaha
Nada grave, conseguimos chegar às 4h30, depois de razoáveis 13 horas de viagem! Ahhh se tivéssemos ficado lá e curtido a festa por um dia a mais!

Enfim, comecei a semana aqui já atrasado! hahaha..
Depois de um trabalho de programação tenso que tivemos que entregar e outras aulas mais cabeludas ainda, começo a perder a cabeça!
Deuses da Bavária, ajudem-me!

21.9.09

experiências de um novato

Parti para o fim de semana de integração e acabou passando-se tudo bem...
Apesar das histórias, sobrevivemos!
Começamos o fds cedo... shots de vodka às 4h da manhã, uma experiência BOA! hahahaha
Demos também sorte... Caímos num ônibus em que a galera já era mais veterana, ou seja, todos ficamos doidões, mas eles já sabiam se controlar. Resumindo, tanto a ida quanto a volta foram de boa!
Por outro lado, ouvi também histórias terríveis que não tem como deixar de compartilhar: em um tal busão da vida, os malucos foram "vestidos" com uma singela fralda. Assim, "baahhh pra que perder tempo indo mijar no funil... Mijemos na fralda!"
Vai vendo... Há sim uns sem tico-teco, mas de resto foi finíssimo!
Depois de um sábado sem parâmetros, o domingo foi relax... Descemos um rio da região de caiaque passando por paisagens impressionantes.

Mas realmente, 2 semanas de doideiras de festas de integração, finalmente havía chegado o tempo das aulas.
Mais uma experiência sobrevivida com êxito! Haha...
O ritmo é frenético, algumas aulas são entendiantes até dizer chega e as vezes as viagens na Matemática francesa é demais para mim. Mesmo assim, foi melhor do que esperava.
Maneiro mesmo é poder seguir a aula pelo laptop! Cada um com o seu. Tecnologia como... presente! hahaha O difícil é resistir a tentação de ficar navegando na internet...
Dentro desse passo acelerado já fomos levados até a escolher um Projeto de Estudos. Cada um mais doido que o outro: tipo analisar os diferentes anéis formados pela água que goteja, inventar uma nova caixa de marchas para a bicicleta ou mesmo montar um carro. Acabei com um que achei também como... avançado! Células de produção de hidrogênio a partir da energia solar... Ah mlq!!





Fim de Semana e Campus


• representando a Cidade Maravilhosa
• Projeto de Estudos do campeão
• no Brasil, seria tirado por um palhaço
• trilha de canoagem
• bom-dia viking
• estacionamento dos carros montados
• usina do Homer






O campus está vibrante... Várias atividades agora que o ano realmente se iniciou.
Não raro dá pra encontrar a galera do rugby ou futebol correndo, uns doidos que fazem circo circulando de monociclo ou jogando malabares, alguém tocando o piano da escola, a fanfarra (grupo que toca trompete, sax, tuba, ... para animar durante os eventos) treinando seu repertório, ...
Coisas meio inimáginaveis por exemplo no Fundão, mesmo no Brasil.
Eu por minha vez, me inscrevi no clube Montanha. Partimos nesta primeira semana mesmo para a primeira escalada de treino...
Noooossa, depois de 2 escaladas meus braços já estavam para cair! haha... mas essa sim foi a experiência com a qual mais me identifiquei. Afinal, Lyon está a menos de 2 horas dos Alpes. Objetivo: Mont Blanc.

Essa sexta foi ano novo no calendário judaico, o Rosh Hashanna.
Antes de tudo, um Shana Tova (feliz ano novo) para todos! haha Família, irmãos, amigos: muita saúde e paz para nós nesse ano aí!
Costumo passar com minha família amada, numa cerimônia que gosto muito apesar de não seguir as tradições. Mas sabia é claro que esse ano ficaríamos um pouco distantes.
Porém, por um acaso absurdo acabei passando a melhor festa que poderia passar por aqui.
Explicando: conheci esse cara, Jean, quando ainda estava em Vichy. Depois de conversarmos um pouco descobrimos esse ponto comum: o judaísmo. Ele, sendo bem religioso, me convidou para passar os shabbats (sexta-feira de noite, sagrada para os judeus) com sua família. Depois de uns e-mails sem maiores desdobramentos, achei que seria difícil encontrá-lo. Foi aí que na véspera do Rosh Hashanna, quando estava indo para uma festa em Lyon, trompei com ele no metro. Ora ele me convidou para passar com sua família a festa, ora eu aceitei!
E foi assim que sexta saí da faculdade sem saber muito bem o que esperar. Fomos à sinagoga, onde os ritos se diferenciaram muito daqueles com os quais estou acostumado: todos rezam alto juntos, tradição dos sefharadi (judeus vindo da África do Norte) segundo o Jean. De volta para sua casa, aí já estava toda sua família presente. Muita reza, comidas diferentes (mais uma vez por causa das raízes distintas), um clima humilde e acolhedor, muita alegria e muito amor. No final das contas, me senti como se estivesse em casa, a melhor sensação que poderia ter nesse dia!
Uma experiência inesperada, única e inesquecível...
Infelizmente não se podia tirar fotos porque era o shabbat, mas como um bom intruso (ou mal convidado) não pude evitar de tirar uma da bela sinagoga.


Experiências em Lyon:

• Jimi, el chicano, e Alex, le français, num barzin em Vieux Lyon
• sinagoga
• vinhedo
• espantalho?
• Luis, eu e Mari no barzin árabe
• homem-aranha em formação











mais uma vez: Shana Tova a todos! haaha... muita alegria!
atée!

11.9.09

expectativas

Lyon vem gerando na minha cabeça as mais variadas expectativas desde que a seleção saiu.
Ao longo desses meses de espera procurei saber bastante sobre o que estava por vir, talvez por curiosidade, talvez para não esperar muito e não me decepcionar. Veteranos, franceses, sites na internet, pessoas que conheciam a cidade... Absorvi toda e qualquer informação que consegui.
Finalmente, depois de 2 meses na França, num período em que a ansiedade atingiu o ápice, cheguei na École Centrale de Lyon, para colocar a prova cada peça desse quebra-cabeças de expectativas que se montara.

Depois de 2 semanas aqui, digo com toda a convicção que elas estavam muito aquém do que estou vivendo.


École Centrale Lyonnaise


• desde 1857
• cheguei!
• primeiras matemáticas em francês
• vista da École
• cidade de Lyon






Já na chegada, a recepção não poderia ter sido melhor: a equipe do Bureau International (associação de alunos da escola que recebe os estrangeiros) nos ajudou durante a semana inteira com informações e papeladas para tentar vencer a incrível burocracia francesa. Com descanso, obviamente, para as integrações: churrasco à la Lyonnaise (com salsichas típicas), volta em Lyon e soirées.
Nessa primeira semana, chegamos nós que estávamos em Vichy (8 brasileiros, 3 chineses e um russo), outros estrangeiros que vieram para passar um ano ou dois e alguns franceses. Como mais um presente de Lyon, a galera toda que veio é do mais bom sangue existente. Assim, a integração já fluiu bem!

Outra fonte de preocupação para mim era onde iria me deitar. O quarto de 18 m2 que visitara uma vez poderia ser bem meu novo lar, mas já estava ansioso demais em Vichy pensando em como seria a mudança. Depois de uma semana, no entanto, saí dessa sem maiores ferimentos. O espaço é mais que confortável, mesmo eu tendo trazido toneladas de malas. Banheiro próprio, mini-cozinha, uma cama, pra que mais? O senso de liberdade aqui é uma maravilha...
Moro num conjunto de residências que teoricamente seria mais calmo, exatamente por ser tudo individual... No outro conjunto, onde a cozinha é comunitária, é onde rolariam todas as soirées sendo difícil se misturar...
Mais uma expectativa quebrada. Não tem coisa melhor do que visitar os amigos que moram lá, fazer A festa no andar e depois voltar pra casa tranquilo, onde poderei dormir sem colocar os tampões de ouvido, hahha. E assim vamos indo conhecendo mais e mais gente.



Vida em Lyon

• museu de miniaturas
• zoológico a céu aberto no Parc de Tête d'Or

• integração
• kebaaaab!

• ficou bonito esse aí!






Como alguém acostumado a sair no Rio todos os fins de semana, fiquei um pouco aflito também quando vi a distância da faculdade para o centro da cidade. Em bus seriam 30 min..
Algumas idas a Lyon depois, minha cabeça está sossegada... é sim um pouco longe e acho ainda que eles não deveriam mentir: a école deveria se chamar École Centrale de Ecully, hahahha, em homenagem à grandíssima cidade em que ela se situa.
Porém, nada que seja dramático! E ainda, Lyon compensa qualquer stress! Ô cidadezinha foda...

A última expectativa a ser quebrada, talvez a mais importante, foi justamente em relação aos franceses. "Nããão, eles são muito diferentes, frios, sonsos, esnobes, imscíveis, e os caralho à 4".
Foi uma semana depois da nossa chegada que eles apareceram aqui pelo campus. Desde então perdi a conta de com quantos já conversei, sem que eles parecessem um mínimo de diferente de um brasileiro, por exemplo.
Pois é verdade que sim há alguns que são meio parisienses demais (jogando um cliché, já que tem parisienses gente boas tb) e que eles têm umas brincadeiras meio infantis (para não dizer pederastas) demais como tirar a blusa a torto e a través ou mesmo fazer o helicóptero para a platéia. Na minha opinião eles ficam meio abitolados assim depois de 2 anos de classes préparatoires intensas (matemática e física 24h por dia 7 dias por semana para entrar na faculdade). Mas a maioria ainda é bem razoável...

Esse post não vai ter muitas fotos, porque estou contando mais o que andei pensando.
Vou partir amanhã para o fim de semana de integração com a faculdade. Ainda não sabemos se partimos para a praia ou para a montanha, mas sei que as expectativas recomeçam!
Espero, dessa vez, muito... Afinal será o último descanso de verdade antes de começar o massacre das aulas (ihhhh, mais um milhão de expectativas).